Em 2 de junho de 2026, o Representante de Comércio dos EUA (USTR) propôs tarifas da Seção 301 sobre 60 economias, incluindo a União Europeia, citando falhas em proibir e aplicar medidas contra bens produzidos com trabalho forçado. As tarifas adicionais — 10% na maioria dos produtos europeus e 12,5% nos restantes — são a ação comercial mais agressiva de Washington contra o bloco em décadas. A escalada ameaça a trégua comercial UE-EUA e pode abrir uma nova fase de desacoplamento estratégico entre os dois maiores blocos econômicos do mundo.
O que são as tarifas da Seção 301?
A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao presidente dos EUA impor tarifas a práticas consideradas injustificadas ou discriminatórias. Washington usou esse instrumento contra tarifas da Seção 301 sobre a China em 2018, mas a ação de junho de 2026 é inédita. Segundo o comunicado da USTR, investigações iniciadas em 12 de março de 2026 concluíram que as 60 economias não impõem nem aplicam proibições a produtos feitos com trabalho forçado.
Por que Washington visou a UE?
A USTR dividiu as 60 economias em dois grupos: 54 sem proibições de importação eficazes — incluindo China, Índia, Vietnã, Rússia e Reino Unido — e seis que não aplicaram as proibições existentes: Canadá, Equador, UE, Indonésia, México e Paquistão. A UE foi alvo porque o Regulamento (UE) 2024/3015, em vigor desde dezembro de 2024, só será aplicado a partir de dezembro de 2027. Para a Bird & Bird, a UE foi penalizada porque o Regulamento só se aplica a partir de dezembro de 2027, deixando a regulamentação da UE sobre trabalho forçado sem aplicação efetiva.
Estrutura tarifária proposta
A proposta prevê tarifa adicional de 10% para economias com estruturas parciais ou compromissos recíprocos — UE, Canadá, México e Reino Unido — e 12,5% para as demais. Um mecanismo têxtil permitirá importações limitadas ligadas ao algodão dos EUA; isenções abrangem aeronaves civis, produtos farmacêuticos, semicondutores e doações humanitárias. Na análise da KPMG, os importadores devem esperar grande exposição tarifária e maior escrutínio das cadeias de fornecimento.
Implicações econômicas e estratégicas
As tarifas podem perturbar cadeias de fornecimento globais de bens intermediários europeus, de componentes automotivos a farmacêuticos, e reduzir o comércio transatlântico em dezenas de bilhões de euros por ano. A medida também enfraquece a coesão transatlântica da OTAN e o sistema comercial baseado em regras, já abalado por litígios na OMC.
Reações e perspectivas
Grupos comerciais europeus reagiram com dureza. O Centro de Comércio da Europa Central e de Leste (CEETC) aconselhou as PME a mapear cadeias de fornecimento, implementar protocolos de conformidade sobre trabalho forçado e tratar a transparência como vantagem competitiva. Espera-se que Bruxelas conteste as tarifas na OMC; um alto funcionário comercial da UE afirmou que o bloco foi apanhado de surpresa pela amplitude da ação americana.
Próximos passos
Os comentários públicos terminaram em 6 de julho e as audiências ocorreram no dia 7. As tarifas entraram em vigor em 24 de julho de 2026, após memorando presidencial de 23 de julho, e as cotas têxteis serão definidas até 1º de setembro. As empresas devem acompanhar o período de comentários da Seção 301 para eventuais exclusões e preparar documentação de conformidade. Se as negociações falharem, a UE poderá responder com contramedidas.
Perguntas Frequentes
O que é a Seção 301?
A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite que os EUA imponham tarifas a países com práticas consideradas desleais.
Quais países são afetados?
São 60 economias, incluindo China, Índia, Vietnã, Rússia, Reino Unido, Canadá, México e UE.
Quais tarifas incidem sobre a UE?
10% na maioria dos produtos; 12,5% em outros casos.
Quando as tarifas entraram em vigor?
Em 24 de julho de 2026, após memorando presidencial de 23 de julho.
Como a UE pode responder?
Contestando na OMC e acelerando a aplicação do seu regulamento sobre trabalho forçado, com possíveis retaliações.
Conclusão: nova fase de desacoplamento
A ação contra a UE não é apenas uma disputa comercial; é um sinal de que Washington usará o trabalho forçado como alavanca estratégica. Com os dois blocos a adotar tarifas e barreiras, a relação transatlântica entra em conflito administrado. Os próximos meses dirão se a diplomacia restaura a trégua ou se o desacoplamento se prolonga.
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